Crítica: Histórias Cruzadas (The Help) – Oscar 2012
Estrelas: 4/5
Direção: Tate Taylor
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer, Bryce Dallas Howard, Jessica Chastain
Alguns cinéfilos criticam o Oscar por ter sempre nos seus indicados filmes categorizados. A reclamação é a de que toda lista do Oscar possui pelo menos um filme que fale de preconceito (racial, sexual), um filme dedicado ao “cinema de arte”, um filme histórico, e por aí vai. Eles acusam então as premiações de serem rígidas, forçadas, previsíveis.
É difícil negar que existem exemplos que se encaixam nesse argumento, mas o fato é que mesmo sem querer fugir dessa espécie de “fórmula”, alguns filmes, estereotipados ou não, tornam-se grandes surpresas. É o caso do excelente The Help, traduzido para Histórias Cruzadas (não confundir com Vidas Cruzadas, mal utilizado para vários outros filmes).
The Help retrata o Mississípi dos anos 60, mostrando como uma escritora iniciante decide contar a sofrida história das empregadas negras da época (as “ajudantes”). Skeeter (Emma Stone) é a escritora, uma jovem estudante que não parece se encaixar tão bem na sociedade em que vive. Aibeleen (Viola Davis, que deverá ganhar o Oscar) é uma das empregadas que ajuda Skeeter a denunciar a forma como as empregadas negras são tratadas no sul dos Estados Unidos. Elas contam ainda com a ajuda de Minny (Octavia Spencer, que está excelente e também deverá ganhar o Oscar) nessa arriscada atitude.
O ponto forte do filme não é a denúncia dos maus tratos aos negros, nem a luta pelos direitos civis, ou mesmo a busca pela superação feminina (como escritoras, donas de casa ou esposas). De forma muito inteligente, o diretor e roteirista Tate Taylor não foge destes temas mas também não os põe como motivação única para o o filme. Ao invés disso, o filme traz um tom mais leve, muitas vezes até cômico, e busca nos aproximar fortemente dos personagens, imergir junto com eles na aventura. Isso poderia ser considerado uma forma de covardia por parte de Taylor (que é amigo de infância da autora do best-seller homônimo), mas a verdade é que essa decisão contribui muito para a identificação e originalidade do filme, sem impedir que a importante mensagem seja transmitida (não é difícil, por exemplo, fazer paralelos com o tratamento das empregadas no Brasil atual). É então natural que o espectador se envolva profundamente com os personagens e que a história passe a ter uma relação de intimidade conosco, e não apenas de denúncia.
Mas o maior diferencial deste filme, o motivo que o tornou tão forte nas competições e na bilheteria internacional (o filme se pagou na primeira semana), são as atuações. O filme já ganhou o prêmio de melhor elenco no Screen Actors Guild Awards e Critic’s Choice Awards, além de melhor atriz (principal e coadjuvante) nas principais premiações. Viola Davis disse em entrevista que esse é o melhor elenco feminino da história, e é difícil discordar. As atuações de fato são brilhantes. Não é um filme levado por apenas um personagem, mas por vários. Emma Stone, provável atriz principal, está muito bem. Bryce Dallas Howard está nada menos do que sensacional como a vilã do filme. E claro, no topo, estão Viola Davis e Octavia Spencer, em atuações dignas de premiação qualquer que fosse o ano.
Adiciono ainda nesta lista Jessica Chastain, que teve um ano memorável com atuações fortes em nada menos que cinco filmes (inclusive A Árvore da Vida). Sua representação de Celia Foote é magnifica, tornando a personagem não apenas um complemento, mas um dos pontos cruciais da história, pois Celia é a amiga ingênua e até tola da turma, também deslocada da sociedade, que talvez por isso acabe conseguindo escapar das tradições e costumes medíocres impostos pela cultura da época. É ela a personagem que realmente possui coração e índole, tornando-se mais marcante do que outras mulheres que se transformam durante a história (como a mãe de Skeeter, Allison Janney, importante não apenas na história principal mas em uma interessante história paralela que se desvenda próxima ao fim do filme).
É um filme gostoso de se assistir, surpreendente pelas incomparáveis atuações, sem com isso perder em técnica cinematográfica ou importância social. Um filme para se recomendar, se rever e se inspirar.
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Filme MARAVILHOOOSO! Engraçado, comovente, lindo e gostoso de se assistir! RECOMENDO sem dúvidas!
Pedro,
Apoiado. Muito bom mesmo.
Abraços,
Bode